sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SISTEMA NERVOSO




O sistema nervoso detecta estímulos externos e internos, tanto físicos quanto químicos, e desencadeia as respostas musculares e glandulares. Assim, é responsável pela integração do organismo com o seu meio ambiente.

Ele é formado, basicamente, por células nervosas, que se interconectam de forma específica e precisa, formando os chamados circuitos neurais. Através desses circuitos, o organismo é capaz de produzir respostas estereotipadas que constituem os comportamentos fixos e invariantes (por exemplo, os reflexos), ou então, produzir comportamentos variáveis em maior ou menor grau.

Todo ser vivo dotado de um sistema nervoso é capaz de modificar o seu comportamento em função de experiências passadas. Essa modificação comportamental é chamada de aprendizado, e ocorre no sistema nervodo através da propriedade chamada plasticidade cerebral.

O Neurônio

A célula nervosa, ou, simplesmente, neurônio, é o principal componente do sistema nervoso. Considerada sua unidade anatomo-fisiológica, estima-se que no cérebro humano existam aproximadamente 15 bilhões destas células, responsável por todas as funções do sistema.

Existem diversos tipos de neurônios, com diferentes funções dependendo da sua localização e estrutura morfológica, mas em geral constituem-se dos mesmos componentes básicos:

  • o corpo do neurônio (soma) constituído de núcleo e pericário, que dá suporte metabólico à toda célula;
  • o axônio (fibra nervosa) prolongamento único e grande que aparece no soma. É responsável pela condução do impulso nervoso para o próximo neurônio, podendo ser revestido ou não por mielina (bainha axonial) , célula glial especializada, e;
  • os dendritos que são prolongamentos menores em forma de ramificações (arborizações terminais) que emergem do pericário e do final do axônio, sendo, na maioria das vezes, responsáveis pela comunicação entre os neurônios através das sinapses. Basicamente, cada neurônio, possui uma região receptiva e outra efetora em relação a condução da sinalização.

A Sinapse

É a estrutura dos neurônios através da qual ocorrem os processos de comunicação entre os mesmos, ou seja, onde ocorre a passagem do sinal neural (transmissão sináptica) através de processos eletroquímicos específicos, isso graças a certas características particulares da sua constituição.


Em uma sinapse os neurônios não se toca
m, permanecendo um espaço entre eles denominado fenda sináptica, onde um neurônio pré-sináptico liga-se a um outro denominado neurônio pós-sináptico. O sinal nervoso (impulso), que vem através do axônio da célula pré-sináptica chega em sua extremidade e provoca na fenda a liberação de neurotransmissores depositados em bolsas chamadas de vesículas sinápticas. Este elemento químico se liga quimicamente a receptores específicos no neurônio pós-sináptico, dando continuidade à propagação do sinal.

Um neurônio pode receber ou enviar entre 1.000 a 100.000 conexões sinápticas em relação a outros neurônios, dependendo de seu tipo e localização no sistema nervoso. O número e a qualidade das sinapses em um neurônio pode variar, entre outros fatores, pela experiência e aprendizagem, demonstrando a capacidade plástica do SN.

Funcionalmente, pode-se afirmar que o SN é composto por neurônios sensoriais, motores e de associação. As informações provenientes dos receptores sensoriais aferem ao Sistema Nervoso Central (SNC), onde são integradas (codificação/comparação/armazenagem/decisão) por neurônios de associação ou interneurônios, e enviam uma resposta que efere a algum orgão efetor (músculo, glândula). Kandel sugere que o "movimento voluntário é controlado por complexo circuito neural no cérebro interconectando os sistemas sensorial e motor. (...) o sistema motivacional". As respostas desencadeadas pelo SNC são tão mais complexas quanto mais exigentes forem os estímulos ambientais (aferentes).

Para tanto o cérebro necessita de uma intrincada rede de circuitos neurais conectando suas principais áreas sensoriais e motoras, ou seja, grandes concentrações de neurônios capazes de armazenar, interpretar e emitir respostas eficientes a qualquer estímulo, tendo também a capacidade de, a todo instante, em decorrência de novas informações, provocar modificações e rearranjos em suas conexões sinápticas, possibilitando novas aprendizagens.

Todo o córtex cerebral é organizado em áreas funcionais que assumem tarefas receptivas, integrativas ou motoras no comportamento. São responsáveis por todos os nossos atos conscientes, nossos pensamentos e pela capacidade de respondermos a qualquer estímulo ambiental de forma voluntária. Existe um verdadeiro mapa cortical com divisões precisas a nível anatomo-funcional, mas que todo ele está praticamente sempre mais ou menos ativado dependendo da atividade que o cérebro desempenha, visto a interdependência e a necessidade de integração constante de suas informações frente aos mais simples comportamentos.









Revista "Cérebro & Mente" 2(5), Março/Maio 1998.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR DA CRIANÇA

Padrão motor: é uma série de movimentos inter-relacionados, para alcançar um objetivoOcorre em 3 fases: preparatória, ação e contínua

Os elementos do movimento são 4:

1 - tempo; 2 - peso; 3 - espaço; 4 - forma.

Fatores que afetam as respostas motoras:

-conhecimento do espaço

-qualidade da força

-e seu inter-relacionamento

Estágios do desenvolvimento motor e estágios de aprendizagem

Para a criança estar pronta para movimentos perceptivos motores e voluntários é necessário seguir o desenvolvimento dos movimentos básicos, que são fundamentais como pré-requisitos.

Movimento voluntário

( 2 a 6 anos – saindo do corpo vivido entrando no corpo percebido)

Os movimentos reflexos são involuntários. São elementos fundamentais para o desenvolvimento motor

Movimentos reflexos são executados sem o pensamento consciente em resposta a um estímulo. O desenvolvimento básico dos reflexos baseia-se em: posturais, segmentares e de preensão.

-equilibrar-se num pé só

-andar sobre uma linha em diferentes curvas e formas

-hiperestender o corpo em vários níveis e direções

-transportar objetos na cabeça

- correr para perto e para longe de objetos em movimento

Movimentos básicos

Essa é a fase mais crítica para que o desenvolvimento motor seja correto. Normalmente a criança desenvolve pela prática

Podem ser:

-locomotores :- rastejar, andar saltar, pendurar, rastejar

-não locomotores: puxar, empurrar, virar, curvar

-manipulativos : Em sala de aula ( preensão, cópia, etc)

1-perceptivo motor: Baseai-se nos estágios anteriores, acrescentando outra dimensão: a percepção que antecede a resposta motora. A criança interpreta antes de responder a um movimento.Importantíssimo para o desenvolvimento da inteligência

2-habilidades físicas: Estas determinam aadequação ao movimento. A criança muito nova não tem essa adequação.Adquire essas habilidades na fase do corpo percebido ( 5-6 anos). Essas habilidades são relativas ao esporte e à dança. Em habilidades mais complexas as crianças nessa idade ainda não têm maturidade total

3-movimentos criativos:

É a resposta ao "movimento" através da comunicação. Aqui ocorre o desenvolvimento motor expressivo e interpretativo. Estímulos do ambiente são motivadores nessa faixa de idade

São desenvolvidos também em classe ( artes visuais- música)

Estágios de aprendizagem

1-Imitação: a criança observa e executa uma imitação do que está vendo ( ação)

Esse movimento é carente de coordenação ( ou controle muscular)- é uma forma imatura e imperfeita. Ocorre com crianças até 3 anos.

2-Manipulação:

A criança desempenha a ação de acordo com orientações dadas; não se baseia somente na observação

3-Conceituação:

Nessa fase a criança alcança exatidão, equilíbrio e outras habilidades de precisão podem ser alcançadas ( na pré-escola )

4-Discriminação:

Coordenação de uma série de ações com seqüência adequada.

Começam a surgir as habilidades motoras rítmicas e a complexa coordenação óculo-motora

-baterna bola de soprar com as mãos abertas procurando mantê-la no ar

-Arremessar uma bola de meia ou pequenos sacos de areia num balde ou caixa com abertura de tamanho igual ao da bola

-Em sala de aula: encaixar pinos de madeira- jogar bilboquê, etc

5-Naturalidade:

Atinge o desempenho mais alto de capacidade e a ação quase não requer energia psíquica ( pensamento). As respostas são automáticas e espontâneas

Ex: andar é uma ação motora que se desenvolve na criança até o nível de maturidade

Movimentos e atividades de dança

A execução das atividades motoras grossas ocorre paralelamente ao desenvolvimento integral da criança.

Para estimular o auto- conceito: movimentos com conhecimento das partes do corpo e do que o corpo pode executar

Imagem corporal ( melhorar o auto-conceito)

-esconder partes do corpo ( nariz, orelha, etc)

-mover braços, cabeça, pernas e pé de maneira ritmada

-colocar objeto sobre diferentes partes do corpo

-transmitir mensagem usando as diferentes partes do corpo

-desenhar partes do corpo num papel ( em classe )

-mover parte do corpo em determinada direção

-tocar diferentes partes do corpo com os olhos fechados

-Brincadeiras, como: "o macaco disse"- o professor dá os comandos

- espelhar-se num parceiro imitando seus movimentos

Coordenação

Falhas na coordenação motora podem ser causadas pela deficiência de movimentos desde o período de amamentação até a 1ª infância

Andar( explorar diversas maneiras de andar, correr saltar)

-andar de lado

-andar com artelhos para fora e calcanhares unidos

-correr com as mãos sobre a cabeça

-correr com as mãos no quadris

correr com as mão presas às costas

-correr na ponta dos pés

-saltitar nos dois pés

-saltitar num pé só

-saltar para frente

-saltar para trás

-saltitar para o lado direito, para o esquerdo

Empurrar e puxar

-cabo de guerra- dois a dois usando corda curta

-cobra: deitar em decúbito dorsal, braços estendidos sobre a cabeça, deslizar o corpo no solo, inclinando o quadril na linha da cintura, para a esquerda e para a direita

-peixe: em decúbito dorsal, no solo, executar movimentos de nadar

-urso- andar em quatro apoios, movimentando ao mesmo tempo, braço esquerdo, perna esquerda, braço direito, perna direita

Atividades de equilíbrio

( amplia a capacidade de concentração da criança)

-subir escada, elevando o joelho omais alto possível

-passo de elefante: inclinada para a frente na altura da cintura, deixar os braços e mão soltos imitando o elefante. (propor outras imitações)

-andar de joelhos: a criança anda ajoelhada com as mãos no ar

-passo de pato: com as mãos seguras nas costas, em forma de cauda, andar inclinada ou agachada para a frente ou qualquer outra variação

-pulo do coelho: saltitar para a frente sobre dois pés e apoio com as mãos no solo

Atividades de Conscientização do Corpo

A criança necessita de atividade que envolvam os dois lados do corpo, para se obter o máximo de eficiência nos movimentos.

-deitada em decúbito dorsal, com os pés elevados do solo, executar círculos

-deitada em decúbito dorsal, braços estendidos ao longo do corpo, deslizar os -dois braços ao mesmo tempo até tocar a cabeça com as mãos.

-Deitada em decúbito dorsal, braços estendidos ao longo do corpo, deslizar o ---braço esquerdo para cima e perna esquerda para cima, perna direita para fora

-Deitar no solo, com os olhos fechados e tocar as partes do corpo que forem citadas

Atividades de consciência espacial

Usar a imaginação da criança. Não dar exemplo.

-Pedir à criança :

-Ser uma árvore

-Procurar ser mais alta que possa

-Procurar ser menor que possa

-Apontar a uma parede. Tocar e voltar

-Apontar uma parede. Correr até ela e voltar

-Sem sair do lugar, mover os pés rapidamente

O MOVIMENTO USADO NA FORMAÇÃO DE CONCEITOS

Muitos conceitos podem ser aprendidos através de atividades motoras.O conhecimento pode ser alcançado pelo reforço no domínio psicomotor.

O conhecimento exige: percepção, concentração e a prática.

Matemática: podem ser usadas atividades manipulatórias, usando saquinhos de areia, móbiles geométricos e outros tipos de material.

Esse material dever ser com números, símbolos e figuras geométricas. Ex: fazer uma construção com figuras geométricas de cores diferentes, marcadas com letras e números ( em classe)

APRENDIZAGEM PERCEPTIVO-MOTORA

Input- é a interpretação ( no cérebro) da informação recebida ( inteligência)

Output- é a resposta como resultado da interpretação ( motora)

A resposta perceptivo-motora passa por 4 fases:

1-discriminação e fornecimento de informação (input)

2-assimilação com experiências passadas (cerebral- inteligência)

3-movimento intencional de uma resposta motora ( output)

Objetivos das atividades perceptivo-motoras

A percepção surge a partir de experiências com os sentidos. Por isso quanto maior o número de experiências, mais rico é o desenvolvimento dessas percepções.

Indícios que revelam falhas perceptivo-motoras:

Referências bibliográficas:

Fonseca, Vitor da: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem

Correa, Humberto; Perotti Jr, Alaércio; Pellegrini, Ana Maria- Tendências dos estudos de aprendizagem e desenvolvimento psicomotor

Guillén, Eva: Aprendizagem e desenvolvimento psicomotor

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

SER PROFESSOR(A)













Ser Professor(a),

É buscar dentro de cada um de nós
forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,
toda tensão, toda falta de tempo...
Esse é nosso exercício diário!
Ser professor (a) é se alimentar do conhecimento
e fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro.
Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o
questionamento e abrir as portas do saber.
Ser professor (a) é lutar pela transformação...
É formar e transformar,
através das letras, das artes, dos números...
Ser professor (a) é conhecer os limites do outro.
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...
Ser professor (a) é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...
Ser professor (a)
É saber que o sonho é possível...
É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva...
Onde todos possam ter acesso ao saber...
Ser professor (a) é também reconhecer que somos,
acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar,
esbravejar.
Porque assim ajudamos a pensar e contruir um mundo.
Todos os dias do ano são seus professor(a)!
Parabéns!




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

AVALIAÇÃO FORMATIVA








Avaliação Formativa

Por: Joselice Pinto

A avaliação formativa não tem como objetivo classificar ou selecionar. Fundamenta-se nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que se continue a aprender.
Este enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina, encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem. Somente neste contexto é possível falar em avaliação inicial (avaliar para conhecer melhor o aluno e ensinar melhor) e avaliação final (avaliar ao finalizar um determinado processo didático).

Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, pode-se dizer que ela se converte em uma ferramenta pedagógica, em um elemento que melhora a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino.

Quais as características da avaliação?

· A avaliação deve ser contínua e integrada ao fazer diário do professor: o que nos coloca que ela deve ser realizada sempre que possível em situações normais, evitando a exclusividade da rotina artificial das situações de provas, na qual o aluno é medido somente naquela situação específica, abandonando-se tudo aquilo que foi realizado em sala de aula antes da prova. A observação, registrada, é de grande ajuda para o professor na realização de um processo de avaliação contínua.

· A avaliação será global: quando se realiza tendo em vista as várias áreas de capacidades do aluno: cognitiva, motora, de relações interpessoais, de atuação etc.e, a situação do aluno nos variados componentes do currículo escolar.

· A avaliação será formativa : se concebida como um meio pedagógico para ajudar o aluno em seu processo educativo.

Finalidades da avaliação

· Conhecer melhor o aluno: suas competências curriculares, seu estilo de aprendizagem, seus interesses, suas técnicas de trabalho. A isso poderíamos chamar de avaliação inicial.

· Constatar o que está sendo aprendido: o professor vai recolhendo informações, de forma contínua e com diversos procedimentos metodológicos e julgando o grau de aprendizagem, ora em relação à todo grupo-classe, ora em relação a um determinado aluno em particular.

· Adequar o processo de ensino aos alunos como grupo e àqueles que apresentam dificuldades, tendo em vista os objetivos propostos.

· Julgar globalmente um processo de ensino-aprendizagem: ao término de uma determinada unidade, por exemplo, se faz uma análise e reflexão sobre o sucesso alcançado em função dos objetivos previstos e revê-los de acordo com os resultados apresentados.
Tão somente quando a perspectiva formativa da avaliação for compreendida e assumida por toda a comunidade escolar e contemplada em seu Projeto Político Pedagógico esta poderá tornar-se verdadeiramente significativa para a unidade de ensino; pois; perspectiva avaliativa é projeto coletivo; e só será assumido coletivamente se coletivamente ele for gestado.

Referências bibliográficas

ZABALA, Antoni. A Avaliação. In: ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998


Mestra em Educação Pela UFPE, coordenadora do curso de Pedagoga da Faculdade de Timbaúba, professora de Didática do Ensino Superior e Metodologia Científica da FCAP, professora do curso de Ciências Biológicas da Faculdade Salesiana do Nordeste, consultora pedagógica de ONGs e instituições privadas.

PSICOGENESE DA LÍNGUA ESCRITA





EMÍLIA FERRERO

Psicolinguista Argentina radicada no México

Teoria da Psicolinguística da língua escrita – estudou o desenvolvimento da alfabetização em crianças de diferentes setores sociais;

Foi um marco, mostra que as crianças não chegam às escolas vazias;

Define a compreensão do desenvolvimento das idéias das crianças sobre o processo de escrita como um processo evolutivo;

De acordo com a teoria da psicogênese da escrita, toda escrita passa por quatro fases:

1º pré-silábica – não consegue relacionar as letras com os sons da linguagem escrita;

2º silábica – interpreta a letra à sua maneira atribuindo valor de sílaba (valor sonoro) a cada letra;

3º silábico-alfabético – mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;

4º alfabético – domina, enfim, o valor das letras e sílabas;

A proposta é que os professores, sem qualquer prova inicial de avaliação, criem espaço para que as crianças possam produzir e mostrar o que compreendeu sobre a escrita;

Analisar que representação sobre a escrita o estudante tem para que o professor possa agir;

Constatou modo de representação estáveis, organizados cognitivamente e que se sucede em certa ordem, precedendo a representação alfabética de linguagem, estruturando dessa forma a psicogênese da linguagem escrita.

LETRAMENTO

“O conjunto de conhecimentos, atitudes e capacidades envolvidos no uso da língua em práticas sociais e necessário para uma participação ativa e competente na cultura escrita.” (SOARES, 2004)

Na sociedade atual é necessário que as pessoas sejam Alfabetizadas e Letradas.

“Uma pessoa pode ser alfabetizada e não ser letrada: saber ler e escrever, mas não cultiva nem exerce práticas de leitura e de escrita, não lê livros, jornais, revistas, ou não é capaz de interpretar um texto lido; tem dificuldade para escrever uma carta, até um telegrama – é alfabetizado, mas não letrado”. Magda Soares, 1999.

O que é letramento?

Aprender a ler e escrever, isto é, tornar-se alfabetizado significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita (escrever) e de decodificar a língua escrita (ler); não basta, porém, adquirir essa tecnologia, é preciso apropriar-se da escrita, isto é, fazer uso das praticas sociais de leitura e escrita, articulando-as ou dissociando-as das práticas de interação oral, conforma as situações.

Em outras palavras: não basta a alfabetização, é preciso atingir o letramento, que pode ser assim definido:

Letramento é o estado ou condição de quem não só sabe ler e escrever, MAS exerce as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive, conjugando-as com as práticas sociais de interação oral (SOARES, 1998).

O conceito de letramento pressupõe a concepção de língua como discurso.

“Um adulto pode ser analfabeto e letrado: não sabe ler nem escrever, mas usa a escrita:

- pede a alguém que escreva para ele, dita uma carta, põe exemplo (interessante que, quando dita, usa as convenções e estrutura lingüística próprias da língua escrita, evidenciando que conhece as peculiaridades da linguagem escrita)

- não sabe escrever, mas conhece as funções da escrita, usa-as, lançando mão de um “instrumento” que é o alfabetizado (que funciona como uma máquina de escrever...);

- pede a alguém que leia para ele a carta que recebeu, ou uma notícia de jornal, ou uma placa na rua, ou a indicação do roteiro de um ônibus;

- não sabe ler, mas conhece as funções da escrita, e usa-a, lançando mão do alfabetizado.

È analfabeto, mas é de certa forma, letrado, ou tem certo nível de letramento.

PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA

NÍVEIS OU HIPÓTESES DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA ESCRITA

1. Hipótese pré-silábica

§ Há a intenção de escrever;

§ Os rabiscos evoluem, começam a criar sinais gráficos imitativos de letras convencionais;

§ Adquire um certo repertório de letras. Repete as letras do seu nome para escrever qualquer palavra;

§ Distingue desenho de escrita;

§ A escrita não tem correspondência letra/som;

§ Os nomes de pessoas ou objetos têm relação com o seu tamanho. Ex: formiguinha (poucas letras), boi (muitas letras);

§ A leitura é global. As crianças deslizam o dedo por toda a extensão da palavra ou frase escrita;

§ Por meio de informações externas (mídia, rótulos, TV, cartazes, escrita de adulto) e da escola, ela faz associações e começa a utilizar estes símbolos em sua escrita;

§ Identifica a letra inicial das palavras, depois a final e só depois as intermediárias;

§ Há a hipótese quantitativa: para escrever é preciso de um número mínimo de letras – 3 (três) para que seja legível – e os caracteres devem ser variados.

2. Hipótese silábica

§ A criança tenta dar um valor sonoro a cada letra que compõe a escrita. Cada letra vale por uma sílaba. Nas frases cada letra representa uma palavra;

§ Pela primeira vez a criança trabalha com a hipótese de que a escrita representa parte sonora da fala. Às vezes utiliza vogal, às vezes utiliza consoante ou combina as duas;

§ Presta atenção e observa aquilo que está escrevendo;

§ Os eixos quantitativo e qualitativo desaparecem momentaneamente. Vemos, então, caracteres iguais se repetindo: VACA = AA SAPO = AO

§ Os conflitos entre uma hipótese e outra provocam mudanças que aproximam a escrita da criança ao sistema convencional.

3. Hipótese silábico-alfabético:

§ A criança perde a confiança na hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise que vai além da sílaba;

§ Passa por um período de transição, começando a abandonar os esquemas anteriores, iniciando a criação de novos esquemas;

§ A criança trabalha com duas hipóteses simultaneamente: a sílaba e o alfabeto. É comum dizer que a criança está “comendo letras”, mas, na verdade, ela está acrescentando para ajustar a sua escrita;

§ A criança abandona esta hipótese quando percebe que:

- Não consegue ler sua escrita (esquece, não decodifica);

- Outros não conseguem ler sua escrita (impacto para ela).

4. Hipótese Alfabética:

§ A criança descobre que a sílaba pode ser analisada em elementos menores:

§ Realiza a análise sonora dos fonemas das palavras que vai escrever;

§ Enfrentará problemas ortográficos, pois a identidade dos sons não garante a identidade das letras;

§ As falhas na ortografia, apresentadas pela criança em suas primeiras produções, não são “erros”, mas uma prova de que sua escrita é resultado de explorações e não mera cópia.

MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO





Alfabetização

A alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática e em suas variações. Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do acto de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento.Todas essas capacidades citadas anteriormente só serão concretizadas se os alunos tiverem acesso a todos os tipos de portadores de textos. O aluno precisa encontrar os usos sociais da leitura e da escrita. A alfabetização envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso da linguagem de uma maneira geral. A alfabetização de um indivíduo promove sua socialização, já que possibilita o estabelecimento de novos tipos de trocas simbólicas com outros indivíduos, acesso a bens culturais e a facilidades oferecidas pelas instituições sociais. A alfabetização é um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo.

Letramento

Latin C.png
Latin B.png
Latin A.png

Letramento não é necessariamente o resultado de ensinar a ler e a escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita (SOARES, 2003). Surge, então, um novo sentido para o adjetivo letrado, que significava apenas “que, ou o que é versado em letras ou literatura; literato” (MICHAELIS), e que agora passa a caracterizar o indivíduo que, sabendo ler ou não, convive com as práticas de leitura e escrita. Por exemplo, quando um pai lê uma história para seu filho dormir, a criança está em um processo de letramento, está convivendo com as práticas de leitura e escrita. Não se deve, portanto, restringir a caracterização de um indivíduo letrado ao que domina apenas a técnica de escrever(ser alfabetizado), mas sim aquele que utiliza a escrita e sabe "responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz continuamente"

Leitura

O aprendizado da leitura é um momento importante na educação, que começa na alfabetização e se estende por toda educação básica. Consiste em garantir que o [estudante|aluno] consiga ler e compreender textos, em todo e qualquer nível de complexidade. Depois da fase inicial de alfabetização, faz-se necessária a prática da leitura e da interpretação de textos. Uma vez alfabetizado, é possível o indivíduo ampliar seu nível de leitura e de letramento, de forma a tornar-se um sujeito autônomo e consciente. Por outro lado, a alfabetização por si só não assegura o desenvolvimento do cidadão, como uma panacéia para todo e qualquer mal oriundo da falta do saber.

Aprendizado da leitura na escola

A alfabetização formal se fixa no primeiro e segundo anos do ensino básico. A partir daí considera-se que o aluno já é um leitor e começa-se um período de interpretação de textos que parte deste pressuposto.

Métodos de Alfabetização

Método Fônico (ou sintético)

O lingüista americano Bloomfield, propositor do módulo fônico desse método, defende que a aquisição da linguagem é um processo mecânico, ou seja, a criança será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente. Assim, a linguagem seria a formação do hábito de imitar um modelo sonoro. Os usos e funções da linguagem, neste caso, são descartados por se tratarem de elementos não observáveis pelos métodos utilizados por essa teoria, dando-se importância à forma e não ao significado.

No tocante à aquisição da linguagem escrita, a fônica é o intuito de fazer com que a criança internalize padrões regulares de correspondência entre som e soletração, por meio da leitura de palavras das quais ela, inconscientemente, inferir as correspondências soletração/som.

De acordo com esse pensamento, o significado não entraria na vida da criança antes que ela dominasse a relação, já descrita, entre fonema e grafema. Nesse caso, a escrita serviria apenas para representar graficamente a fala. Assim, a função seria precedida pela forma; os ditames viriam dos autores das cartilhas, como se esses fossem os detentores do significado, sobrepondo-se ao leitor; o texto serviria somente para ser destrinchado, absorvendo aquele significado cristalizado contido nele; e o erro visto com elevada severidade.

Com relação à prática, observa-se que os mestres decidem como e quando as crianças devem aprender; ensina-se de padrões regulares, considerados mais fáceis, passando para os irregulares, considerados mais difíceis; supõe-se que a criança deva dominar o modo correto, levando-se em consideração a variedade lingüística; a criança deve ter pré-requisitos muito bem estabelecidos para ser considerada apta à língua escrita.

Método Global (ou Analítico)

Opunha-se ao método sintético, questionando dois argumentos dessa teoria. Um que diz respeito à maneira como o sentido é deixado de lado e outro que supunha que a criança não reconheceria uma palavra sem antes reconhecer sua unidade mínima.

A principal característica que diferencia o método sintético do analítico é o ponto de partida. Enquanto o primeiro parte do menor componente para o maior, o segundo parte de um dado maior para unidades menores.

Justificando o método analítico, Nicolas Adam, responsável por suas bases, vai utilizar-se de uma metáfora, dizendo que, quando se apresenta um casaco a uma criança, mostra-se ele todo, e não a gola, depois os bolsos, os botões etc. Adam afirma que é dessa forma que uma criança aprende a falar, portanto deve ser da mesma forma que deve aprender a ler e escrever, partindo do todo, decompondo-o, mais tarde, em porções menores. Para ele, era imprescindível ressaltar a importância que a criança tem de ler e não decifrar o que está escrito, isso quer dizer que ela tem a necessidade de encontrar um significado afetivo e efetivo nas palavras.

O método analítico se decompõe em:

  1. Palavração: diz respeito ao estudo de palavras, sem decompô-las, imediatamente, em sílabas; assim, quando as crianças conhecem determinadas palavras, é proposto que componham pequenos textos;
  2. Sentenciação: formam-se as orações de acordo com os interesses dominantes da sala. Depois de exposta uma oração, essa vai ser decomposta em palavras, depois em sílabas;
  3. Conto: a idéia fundamental aqui é fazer com que a criança entenda que ler é descobrir o que está escrito. Da mesma maneira que as modalidades anteriores, pretendia-se decompor pequenas histórias em partes cada vez menores: orações, expressões, palavras e sílabas.

Notas e Referências

Soares, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2003.

LETRADO. In: MICHAELIS Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Disponível em <http://michaelis.uol.com.br/>. Acesso em: 07 mar. 2008.

Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

SENNA, Luiz Antonio Gomes (Org.) Letramento - princípios e processos. Curitiba: IBPEX, 2007.