quarta-feira, 17 de março de 2010

JEAN PIAGET

O suíço Jean Piaget (1896-1980), pai da psicologia da inteligência, estava interessado em saber como nós podemos aprender algo. Mais do que a psicologia e as características de cada indivíduo, o que o preocupava era a construção de uma teoria do conhecimento. Como chegamos a saber algo que não sabíamos? Como o conhecimento evolui?
Impossibilitado, pela falta de dados, de estudar a evolução do pensamento ao longo da história da humanidade, Piaget voltou-se para experiências com crianças - baseadas em diálogos abertos sobre temas específicos e não em testes. Por meio delas, tentou entender os processos pelos quais evoluía a compreensão de conceitos básicos como espaço, tempo, causalidade física, número, julgamento moral, etc.
Depois de escrever uma série de livros sobre suas conversas com crianças de quatro anos em diante, Piaget estudou incessantemente o crescimento de seus três filhos, escrevendo, entre 1925 e 1931, três livros clássicos. Nessas obras, apresenta suas dúvidas sobre o papel do pensamento verbal na gênese da inteligência e afirma que, nos primeiros anos de vida, a inteligência é uma conseqüência das ações, da atividade da criança, e não de sua linguagem. Era o início de uma obra enorme e de difícil leitura, porém fascinante e única.
Opondo-se tanto às teorias que acreditavam no caráter inato do conhecimento quanto às que viam as crianças como "tábuas rasas" sobre as quais o conhecimento se inscrevia, Piaget definiu uma nova concepção: o construtivismo, segundo o qual o conhecimento é construído ativamente pelo sujeito, é uma conseqüência de suas interações com o mundo e de suas reflexões sobre essas experiências, de tudo aquilo que pode abstrair delas.
Para Piaget, as crianças são como "pequenos cientistas", pois fazem experiências com o mundo ativamente. A construção do conhecimento é um processo biológico de assimilação do novo ao que já existe, comparável, de certa forma, à digestão. Isso porque, ao ser "assimilado" pelo sujeito, o alimento se transforma. O mesmo acontece com o conhecimento, que é "assimilado" aos esquemas e estruturas do indivíduo. (Ver item Pós-piagetianos.)
Na área da educação, sua influência é enorme, embora Piaget fizesse questão de deixar claro que não era pedagogo. Conhecedor e defensor assumido das práticas da Escola Nova e da pedagogia praticada por Freinet, Piaget escreveu pouco sobre pedagogia e nunca desenvolveu nenhum método.
Mesmo assim, as pesquisas e as idéias de Piaget sobre a evolução dos processos de aprendizagem serviram (e continuam servindo ainda hoje) como fonte de inspiração e como uma base sólida para criticar o ensino tradicional, excessivamente verbal, passivo e não-desafiador para os alunos. O trabalho de Piaget deu origem a inúmeras tentativas (marcadas por boas idéias e por equívocos) de readequar os conteúdos e a forma de ensiná-los, processo que continua até hoje.

Enviado Por: LEANDRO SANTOS DE JESUS

COGNIÇÃO


Essa é uma palavra muito presente em textos pedagógicos e que significa, segundo o Dicionário Aurélio, "aquisição de conhecimento". A psicologia cognitiva estuda os processos de aprendizagem e de aquisição de conhecimento e é hoje um ramo da psicologia dividido em centenas de linhas de pesquisa diferentes, que encontram dificuldade para conversar entre si.
Geralmente, no meio educacional, a psicologia cognitiva é invocada em oposição à psicologia "afetiva". A psicologia cognitiva é mais ligada à corrente piagetiana, que se preocupa com o desenvolvimento intelectual, enquanto a afetiva está relacionada à linha de Freud, mais interessada nas emoções.
Apesar da simplicidade da definição, a palavra "cognição" é bastante complexa. Por trás desse conceito ocultam-se diferenças essenciais entre teorias e visões do mundo e, ao tentar defini-lo, somos confrontados com questões do tipo: Qual a relação entre cognição e percepção? E entre cognição e consciência? Percebemos o mundo como ele realmente é ou nossa percepção e nosso cérebro é que determinam nossa visão do mundo? Qual o papel da nossa cultura, da nossa linguagem, em nossa percepção das coisas? Como representamos "em nossas cabeças" o conhecimento que temos do mundo?
Como se pode ver, essas e outras questões espinhosas, às quais diferentes correntes dão diferentes respostas, estão longe de ser resolvidas. O melhor que podemos fazer, se não tivermos preocupações filosóficas ou necessidade de rigor acadêmico, é evitar essas discussões ou respeitar o fato de que pessoas igualmente inteligentes têm opiniões completamente diferentes sobre a definição clara do conceito e de seus pressupostos.
Em todos os casos em que textos pedagógicos falam em desenvolvimento cognitivo, podemos tranqüilamente substituir a palavra "cognitivo" por "intelectual". Isso deve simplificar as coisas. Não que a definição de "inteligência" não seja tão ou mais problemática que a de "cognição". Porém, é uma palavra à qual estamos mais acostumados e com a qual, geralmente, nos sentimos pisando em terreno mais firme.



Enviado Por: LEANDRO SANTOS DE JESUS

terça-feira, 16 de março de 2010

ATUALIDADES: 10-17/MARÇO

Tremor é um dos mais violentos já medidos
José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Michelle Bachelet, presidente do Chile, visita moradia de emergência construída para abrigar vítimas
O terremoto de 8,8 graus de magnitude na escala Richter que atingiu o Chile às 3h36 da madrugada de 27 de fevereiro de 2010 é considerado a pior catástrofe natural do país nos últimos 50 anos e um dos cinco terremotos mais potentes desde o começo do século 20, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
Direto ao ponto: Ficha-resumo
Os tremores de terra atingiram sete das 15 regiões do Chile, matando 800 pessoas, danificando mais de 500 mil imóveis, pontes e viadutos, e afetando cerca de dois milhões de pessoas, o que corresponde a um oitavo da população de 16,6 milhões de habitantes.
O litoral chileno também foi devastado por tsunamis - ondas gigantes que se formam após um abalo sísmico.
O epicentro do terremoto foi localizado no mar, a 35 km de profundidade, na região de Male, que possui quase um milhão de habitantes. A maior parte das vítimas fatais morava nessa região, incluindo a capital, Talca.
Santiago, capital do Chile, localizada a 325 km de distância do epicentro, também foi atingida e o aeroporto internacional teve de ser fechado. O tremor foi sentido até no Brasil.
A cidade mais afetada foi Concepción, importante centro comercial e industrial do país, capital da segunda maior província chilena, Biobío, composta de 12 comunas (cidades), com quase 900 mil habitantes.
Em Concepción foram registradas mais de 100 mortes, além de danos na infraestrutura. Sem água, luz ou comida, os moradores saquearam e depredaram supermercados e entraram em conflito com a polícia. A desordem nas ruas levou o governo a decretar toque de recolher (ato que proíbe os habitantes de ficarem nas ruas após determinado horário). O procedimento não entrava em vigor desde o fim da ditadura militar chilena, em 1990.
Após o primeiro tremor, dezenas de outros abalos em escala menor - chamados réplicas - foram sentidos no Chile, a maior parte nas regiões de Maule e Biobío.
Outro efeito foi uma onda de 2,34 metros de altura que devastou a cidade litorânea de Talcahuano, na província de Concepción. O alerta de tsunami foi dado em outras ilhas do Pacífico.
Prejuízos
Estima-se que a tragédia tenha dado prejuízos da ordem de US$ 30 bilhões, ou quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do Chile, uma das maiores economias da América Latina.
O terremoto comprometeu estruturas agrícolas e indústrias do país, entre elas a indústria mineradora. Aos poucos, as fábricas retornaram às atividades. O Chile é o maior exportador mundial de cobre.
A presidente Michelle Bachelet decretou "estado de catástrofe" nas regiões de Maule e Biobío, além de pedir ajuda à Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a Constituição chilena, as regiões sob estado de catástrofe passam a ser dirigidas pelo chefe da Defesa Nacional, cargo indicado pelo presidente da República.
A medida também permite ao governo restringir a circulação de pessoas, mercadorias e informações, bem como adotar sanções em caráter extraordinário. O Poder Executivo é obrigado a informar ao Congresso, que poderá suspender a medida no prazo de 80 dias, desde que as razões que deram origem ao estado de catástrofe não existam mais.
Megaterremoto
O Chile tem um longo histórico de terremotos. Em 22 de maio de 1960, um tremor de magnitude 9,5 destruiu a cidade de Valdivia e matou 1.655 pessoas. Foi o maior terremoto já registrado na história desde a invenção de modernos instrumentos de sismologia, no começo do século 20.
O tremor também provocou um tsunami que atingiu a Ilha de Páscoa, a 3.700 km da costa chilena. As ondas chegaram até o Japão, Havaí e Filipinas. Desde 1973, ocorreram outros 13 terremotos de magnitude 7.0 ou maior.
Isso acontece porque o Chile está situado entre duas placas tectônicas: a Nazca, no Oceano Pacífico, e a Sul-Americana.
A crosta da Terra é formada por placas tectônicas separadas que deslizam lentamente sobre o manto terrestre. Esse movimento causa os terremotos. Os abalos sísmicos acontecem nas franjas entre duas placas, chamadas falhas. As placas deslizam em direções opostas, abrindo fendas, ou em movimentos verticais ou horizontais.
Terremotos de magnitude 8.0 são raros e acontecem em média uma vez ao ano. Eles são chamados de "megadeslizamentos" e acontecem quando uma placa tectônica se afunda sobre a outra.
O terremoto chileno não foi mais forte que o de Sumatra, na Indonésia, em 2004, que chegou à marca de 9.1 na escala Richter e foi mais destrutivo porque o tremor provocou um tsunami que matou 230 mil pessoas em 14 países. No Chile, o alerta de ondas gigantes, dado com antecedência, permitiu que a população litorânea nas ilhas do Pacífico fosse avisada, o que não ocorreu no caso de Sumatra, no Oceano Índico.
Haiti
O terremoto no Chile foi também 100 vezes mais potente que o ocorrido no Haiti, em 12 de janeiro de 2010, que registrou 7.0 graus na escala Richter e matou aproximadamente 230 mil pessoas.
Mas por que, mesmo menor, o evento provocou mais destruição no Haiti? Primeiro, pelo fato de o terremoto no Chile ter ocorrido no mar, a 35 km de profundidade, enquanto que o haitiano teve o epicentro a 10 km da superfície, bem debaixo de centros urbanos, e a 25 km da capital, Porto Príncipe.
Em segundo lugar, o Chile é um país preparado para lidar com terremotos. Localizado em um dos lugares do mundo mais propensos a atividade sísmica, com grandes tremores a intervalos regulares de dez anos, o Chile possui prédios construídos com tecnologia anti-sísmica.
Além disso, a população é orientada sobre o que fazer em caso de emergência e existem equipes preparadas para agir após o colapso. Já o Haiti não sofria uma catástrofe desse tipo há dois séculos.
Finalmente, há fatores socioeconômicos. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo, enquanto o Chile é uma das nações mais desenvolvidas da América Latina.
Plano de Formação de Professores discutido em videoconferência
10/3/2010
Foram apresentados nesta terça-feira, 9, em videoconferência, no Instituto Anísio Teixeira, o Programa Nacional de Formação de Professores e o Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente. Presidido pelo secretário da Educação do Estado da Bahia, Osvaldo Barreto, o fórum discutiu ainda a participação e a responsabilidade dos municípios no programa, bem como o parâmetro para validação dos pré-inscritos na Plataforma Freire.
"Vivemos um momento histórico porque, finalmente, a educação foi colocada na agenda nacional com esforços nacionais, estaduais e municipais para superar a vergonha a que o Brasil está submetido de ter um dos índices mais baixos de educação, apesar de hoje ser um dos mais desenvolvidos economicamente", pontuou o secretário Osvaldo Barreto.
O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime/BA), Luiz Valter de Lima, e o diretor-geral do Instituto Anísio Teixeira, Penildon Silva Filho, destacaram a necessidade de dar prosseguimento ao processo de sensibilização dos gestores públicos e parceiros responsáveis pela formação dos professores baianos.
"A Undime tem se pautado na construção de mecanismos articulatórios para fortalecer a política nacional de educação, que visa à qualificação dos nossos professores. Política de formação não pode ser dissociada da política de valorização da classe", afirmou o dirigente da entidade.
A Bahia possui o maior programa de Formação Inicial de Professores do país, tanto de formação inicial (com mais de 61 mil vagas), como de formação continuada (com mais de 45 mil vagas). O programa estadual é organizado e executado pela Secretaria da Educação, por meio do Instituto Anísio Teixeira.
A meta é, até 2011, oferecer formação a profissionais que não possuem licenciatura ou que atuam em área distinta de sua formação, utilizando metodologias de ensino presencial (regular e modular) e a distância.
Em 2007, 35,38% do quadro do magistério público estadual não possuía nível superior com formação profissional em licenciatura plena. Já nas redes municipais, cerca de 80% dos professores não possuíam licenciatura ou qualquer outra graduação. A construção do programa envolveu as universidades estaduais: Uneb, Uefs, Uesc, Uesb, e as federais: Ufba e Univasf, o Instituto Federal da Bahia (Ifba), além da Universidade Aberta do Brasil (UAB/MEC).
Voltada para prefeitos, secretários municipais de educação, diretores de Diretorias Regionais de Educação, diretores de escola e professores, a videoconferência teve visibilidade em 40 auditórios e seis estúdios de 31 municípios baianos, por meio da Rede Educação.
"Esse fórum cumpre o objetivo de divulgar o Programa Nacional de Formação que precisará da união e esforços de todos os segmentos envolvidos para elaborar os planos estratégicos e as prioridades educacionais", alertou o secretário Osvaldo Barreto.
Fonte: ASCOM – SECRETARIA
Vacinar alunos reduz em 60% casos de gripe, diz estudo
São Paulo - A imunização de crianças e adolescentes pode reduzir em cerca de 60% os casos de gripe em uma comunidade. É o que mostra um estudo publicado hoje por pesquisadores canadenses no Jama (Journal of the American Medical Association). Contudo, a maior parte dos países do mundo, incluindo o Brasil, não costuma imunizar a faixa etária dos 3 aos 15 anos. Eles optam por priorizar grupos com mais mortes provocadas pela doença, como idosos ou crianças com menos de 2 anos.
O trabalho mostrou que crianças vacinadas não sofrem contágio na escola e, dessa forma, não levam o vírus para casa. O efeito é conhecido pelos epidemiologistas como imunidade de rebanho, pois a vacinação de um grupo protege os demais membros da comunidade.
O estudo analisou a gripe comum, mas especialistas sugerem que uma estratégia semelhante ajudaria no combate à pandemia de Influenza A (H1N1), a chamada gripe suína. "A principal implicação (do artigo) é que crianças e adolescentes devem ser incluídos no público-alvo de vacinação para influenza", afirmou o principal autor do trabalho, Mark Loeb, da Universidade McMaster.
País
No Brasil, a campanha de vacinação contra gripe A não vai oferecer imunização gratuita para pessoas com idade entre 3 e 19 anos. O Ministério da Saúde afirma que a campanha de vacinação não pretende conter a pandemia - algo que já seria impossível -, mas evitar os casos graves.
Por isso, o principal critério para definir quais grupos devem receber a vacina foi a suscetibilidade aos quadros letais da doença, o que tornaria menos prioritária a imunização de crianças com mais de 3 anos e jovens com menos de 20. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Conferência Nacional de Educação
A Conferência Nacional de Educação – CONAE é um espaço democrático aberto pelo Poder Público para que todos possam participar do desenvolvimento da Educação Nacional.
Está sendo organizada para tematizar a educação escolar, da Educação Infantil à Pós Graduação, e realizada, em diferentes territórios e espaços institucionais, nas escolas, municípios, Distrito Federal, estados e país. Estudantes, Pais, Profissionais da Educação, Gestores, Agentes Públicos e sociedade civil organizada de modo geral, terão em suas mãos, a partir de janeiro de 2009, a oportunidade de conferir os rumos da educação brasileira.
Tema da CONAE, definido por sua Comissão Organizadora Nacional, será: Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação. A CONAE acontecerá em Brasília, de 28 de março a 1º de abril de 2010, será precedida de Conferências Municipais, previstas para o primeiro semestre de 2009 e de Conferências Estaduais e do Distrito Federal programadas para o segundo semestre do mesmo ano.
A Portaria Ministerial nº 10/2008 constituiu comissão de 35 membros, a quem atribuiu as tarefas de coordenar, promover e monitorar o desenvolvimento da CONAE em todas as etapas. Na mesma portaria foi designado o Secretário Executivo Adjunto Francisco das Chagas para coordenar a Comissão Organizadora Nacional.
A Comissão Organizadora Nacional é integrada por representantes das secretarias do Ministério da Educação, da Câmara e do Senado, do Conselho Nacional de Educação, das entidades dos dirigentes estaduais, municipais e federais da educação e de todas as entidades que atuam direta ou indiretamente na área da educação.
Fonte: Site do MEC

Enviado Por:DULCE PEREIRA GUIMARÃES
                 JEILMA DE JESUS BRAGA
                 LARISSA DA SILVA ASCENDINO
                 LEIDIANE FERREIRA DOS SANTOS

sábado, 6 de março de 2010

O ENSINO DE CIÊNCIAS NATURAIS NAS SÉRIES INICIAIS



Leonir Lorenzetti

AS RAZÕES PARA ENSINAR CIÊNCIAS NATURAIS
Muito se tem discutido e escrito sobre a importância do ensino de Ciências Naturais em todos os níveis de escolaridade.
A importância do ensino de Ciências é reconhecida por pesquisadores da área em todo o mundo, havendo uma concordância relativa à inclusão de temas relacionados à Ciência e à Tecnologia nas Séries Iniciais. Apesar da convergência de opiniões e de sua incorporação pelas propostas curriculares e planejamentos escolares, ainda hoje em dia a criança sai da escola com conhecimentos científicos insuficientes para compreender o mundo que a cerca.
Diante de tal fato, podem ser formuladas questões como: Qual é, afinal, a importância dos conhecimentos científicos para a vida dos educandos? Quais aspectos devem ser enfatizados ao se ensinar Ciências Naturais? Quais as demandas da sociedade em decorrência do desenvolvimento científico e tecnológico? Como as pessoas e as escolas deveriam agir perante o amplo desenvolvimento da ciência e da técnica?
Considerando que a Ciência e a Tecnologia desempenham um papel muito importante na escola elementar, em 1983, a UNESCO elencou algumas justificativas para a inclusão desses temas nos currículos escolares.
• As ciências podem ajudar as crianças a pensar de maneira lógica sobre os fatos cotidianos e a resolver problemas práticos simples.
• As ciências, e suas aplicações tecnológicas, podem ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas. As ciências e a tecnologia são atividades socialmente úteis que esperamos sejam familiares às crianças.
• Dado que o mundo tende a orientar-se cada vez mais num sentido científico e tecnológico, é importante que os futuros cidadãos se preparem para viver nele.
• As ciências podem promover o desenvolvimento intelectual das crianças.
• As ciências podem ajudar positivamente as crianças em outras áreas, especialmente em linguagem e matemática.
• Numerosas crianças de muitos países deixam de estudar ao acabar a escola primária, sendo esta a única oportunidade de que dispõem para explorar seu ambiente de um modo lógico e sistemático.
• As ciências nas escolas primárias podem ser realmente divertidas “. (UNESCO apud HARLEN, 1994, p. 28-29, tradução minha, grifos meus).
Segundo FRACALANZA; AMARAL & GOUVEIA (1986):
“... o ensino de ciências no primeiro grau, entre outros aspectos, deve contribuir para o domínio das técnicas de leitura e escrita; permitir o aprendizado dos conceitos básicos das ciências naturais e da aplicação dos princípios aprendidos a situações práticas; possibilitar a compreensão das relações entre a ciência e a sociedade e dos mecanismos de produção e apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos; garantir a transmissão e a sistematização dos saberes e da cultura regional e local” (p. 26-27).
As razões apontadas acima se contrapõem ao ensino livresco, memorístico, acrítico e a-histórico ministrado na maioria das escolas. Para mudar esta realidade, torna-se necessário desenvolver um ensino de Ciências que tenha como foco, nas Séries Iniciais de escolaridade, “a ação da criança, a sua participação ativa durante o processo de aquisição do conhecimento, a partir de desafiadoras atividades de aprendizagem”. (FRIZZO & MARIN, 1989, p. 14).
FRACALANZA; AMARAL & GOUVEIA (1986) afirmam também que o ensino de Ciências, além dos conhecimentos, experiências e habilidades inerentes a esta matéria, deve desenvolver o pensamento lógico e a vivência de momentos de investigação, convergindo para o desenvolvimento das capacidades de observação, reflexão, criação, discriminação de valores, julgamento, comunicação, convívio, cooperação, decisão, ação, entendidos como sendo objetivos do processo educativo. Estas habilidades descritas são instrumentos de suma importância para a vida do educando pois, em muitas situações de sua existência, estas habilidades estarão presentes e, é em nível elementar que estas habilidades podem ser iniciadas, permitindo ao aluno discutir e analisar o conhecimento que está sendo construído.
O ensino de Ciências nas Séries Iniciais deverá propiciar a todos os cidadãos os conhecimentos e oportunidades de desenvolvimento de capacidades necessárias para se orientarem nesta sociedade complexa, compreendendo o que se passa à sua volta, tomando posição e intervindo na sua realidade.
Desta maneira, estaremos possibilitando condições para que o educando exerça a sua cidadania. “Para o exercício pleno da cidadania, um mínimo de formação básica em ciências deve ser desenvolvido, de modo a fornecer instrumentos que possibilitem uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos” (DELIZOICOV & ANGOTTI, 1990, p.56). Assim, todos os indivíduos devem receber uma formação mínima em ciências para a sua formação cultural, uma vez que o "corpus" do conhecimento científico das Ciências Naturais é parte constitutiva da cultura elaborada. Ademais, é no âmbito das Séries Iniciais que a criança constrói seus conceitos e apreende de modo mais significativo o ambiente que a rodeia, através da apropriação e compreensão dos significados apresentados mediante o ensino das Ciências Naturais.
Sabe-se que o acesso ao conhecimento científico se dá de diversas formas, e em diferentes ambientes, mas é na escola que a formação de conceitos científicos é introduzida explicitamente, oportunizando ao ser humano a compreensão da realidade e a superação de problemas que lhe são impostos diariamente. Assim, deve-se ter em conta que o ensino de Ciências, fundamentalmente, objetiva fazer com que o educando aprenda a viver na sociedade em que está inserido.
O ensino de Ciências com seus métodos, linguagem e conteúdos próprios deve promover a formação integral do cidadão, como ser pensante e atuante, e como co-responsável pelos destinos da sociedade. A criança, desde as Séries Iniciais de escolaridade, é cidadã que se constrói através de inúmeros atos interativos com os outros e com o meio em que vive. Ela é sujeito de seus conhecimentos. “O propósito mais geral do ensino das Ciências deverá ser incentivar a emergência de uma cidadania esclarecida, capaz de usar os recursos intelectuais da Ciência para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do Homem como ser humano”. (HURD apud CARMO, 1991, p. 146).
No que respeita ao exercício da cidadania, FUMAGALLI (1998) explicita que se deve perceber o aluno das Séries Iniciais também como sujeito social de sua própria história.
“Cada vez que escuto que as crianças pequenas não podem aprender ciências, entendo que essa afirmação comporta não somente a incompreensão das características psicológicas do pensamento infantil, mas também a desvalorização da criança como sujeito social. Nesse sentido, parece que é esquecido que as crianças não são somente ‘o futuro’ e sim que são ‘hoje’ sujeitos integrantes do corpo social e que, portanto, têm o mesmo direito que os adultos de apropriar-se da cultura elaborada pelo conjunto da sociedade para utilizá-la na explicação e na transformação do mundo que a cerca. E apropriar-se da cultura elaborada é apropriar-se também do conhecimento científico, já que este é uma parte constitutiva dessa cultura.” (p. 15).
Esta autora afirma ainda que não ensinar ciências nas Séries Iniciais, utilizando-se do argumento que as crianças não possuem capacidades intelectuais, é uma forma de discriminá-las como sujeitos sociais. Defende ainda que, embora no discurso pedagógico reconhece-se a importância social de abordar as ciências no nível básico de educação, na prática escolar o conhecimento científico e tecnológico parece estar ausente, tendo em vista a prioridade ao ensino das matérias chamadas instrumentais (Matemática e Linguagem). Desta forma, o ensino de Ciências, principalmente na primeira e segunda séries, ocupa um lugar residual, no qual chega a ser incidental.
FUMAGALLI (1998) afirma também que se deve valorizar a prática social presente nas crianças. Quando se ensina Ciências, nas Séries Iniciais, está-se formando o cidadão e não apenas futuros cidadãos. Argumenta que os alunos, “enquanto integrantes do corpo social atual, podem ser hoje também responsáveis pelo cuidado do meio ambiente, podem agir hoje de forma consciente e solidária em relação a temas vinculados ao bem-estar da sociedade da qual fazem parte” (p. 18). Valorizando a criança como sujeito social atual, estar-se-á contribuindo para a sua ação como adulto responsável e crítico na sociedade.
HARLEN (1989) apresenta três argumentos para a introdução de temas relativos às ciências na escolarização elementar:
a) As crianças constroem idéias sobre o mundo que as rodeia, independentemente de estarem estudando ou não ciências na escola. As idéias por elas desenvolvidas não apresentam um enfoque científico de exploração do mundo e, podem, inclusive, obstaculizar a aprendizagem em ciências nos graus subseqüentes de sua escolarização. Assim, se os assuntos de ciência não forem ensinados às crianças, a escola estará contribuindo para que elas fiquem apenas com seus próprios pensamentos sobre os mesmo, dificultando a troca de pontos de vista com outras pessoas.
b) A construção de conceitos e o desenvolvimento do conhecimento não são independentes do desenvolvimento de habilidades intelectuais. Portanto, é difícil ensinar um “enfoque científico”, se não são fornecidas às crianças melhores oportunidades para conseguir tratar (processar) as informações obtidas.
c) Se as crianças, na escola, não entrarem em contato com a experiência sistemática da atividade científica, irão desenvolver posturas ditadas por outras esferas sociais, que poderão repercutir por toda a sua vida.
PRETTO (1995), ao discutir o ensino de Ciências nos livros didáticos, apresenta quatro argumentos em sua defesa no Ensino Fundamental. “O conhecimento científico é uma maneira de se interpretar os fenômenos naturais; a ciência é parte integrante da cultura; a ciência faz parte da história das diferentes formas de organização da sociedade; e o desenvolvimento científico e tecnológico é cada vez mais acentuado.” (p. 19).
As crianças, desde cedo, precisam conhecer e interpretar os fenômenos naturais, situando-se no Universo em que estão inseridas e interpretando a Natureza.
A ciência precisa ser entendida como um elemento da Cultura, tendo em vista que os conhecimentos científicos e tecnológicos desenvolvem-se em grande escala na nossa sociedade, resultante do trabalho do homem, do seu esforço criador, e não de um momento mágico, no qual o homem cria, a partir do nada, teorias e leis.
Ao considerar ciência como um elemento do universo cultural, deve-se considerar que ela possui uma história. A produção do conhecimento científico está relacionada com os diversos momentos históricos do seu surgimento, recebendo influências das instâncias econômicas, sociais, políticas, religiosas, entre outras, e também sobre elas exercendo a sua influência. (PRETTO, 1995, p. 19-20).
O ensino de Ciências não pode ser desenvolvido como um elemento independente do todo social e, além disso, deve auxiliar o cidadão na compreensão das múltiplas questões com as quais lidamos no nosso cotidiano e que envolvem elementos da ciência e da técnica.
Pode-se pensar que o ensino de Ciências deva contribuir para o próprio crescimento da ciência, garantindo a formação inicial e o estímulo à posterior profissionalização dos cientistas e técnicos aptos a dar respostas às necessidades sociais (CARMO, 1991). Não obstante, sua principal função deverá ser a de proporcionar aos indivíduos uma melhor compreensão não só da ciência e de sua natureza, como também do papel da ciência na sociedade atual. Assim, o ensino de Ciências deverá possibilitar a todos os alunos uma formação científica básica, capacitando-os a compreender o funcionamento de seu mundo, ao mesmo tempo em que pode incentiva-los a prosseguir seus estudos nos campos da ciência e da técnica.
NECESSIDADES DE MUDANÇA: SINALIZANDO POSSIBILIDADES
Analisando a literatura educacional sobre o ensino de Ciências Naturais, constata-se a existência de inúmeras críticas relacionadas, em especial, aos procedimentos de ensino empregados pelos professores, à formação inicial e continuada dos professores e à utilização do livro didático no magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
Mas, quais são, afinal, as principais críticas referidas na literatura e que contribuem para a melhor compreensão do ensino praticado em nossas escolas nesse nível de escolaridade?
De início, deve-se considerar que as crianças adoram aprender. Portanto, é vital que os professores levem em consideração que as crianças, mesmo antes de freqüentarem a escola, manifestam um interesse muito grande pelas coisas da natureza, apresentando curiosidades, demonstrando interesse para descobrir como as coisas funcionam e repetindo incansavelmente suas dúvidas e os porquês. A criança mostra curiosidade pelo ambiente em que vive. Assim, ao estudar o ambiente, ela estará se envolvendo em situações reais com as quais está familiarizada. Por outro lado, dependendo das suas vivências na escola, esta curiosidade da criança pode-se perder à medida que ela avança na escolaridade. “O entusiasmo e o gosto por saber, especialmente relacionado com as coisas da ciência, vai declinando. O gosto pela ciência vai diminuindo e freqüentemente se extingue. Muitas vezes aquilo que era gosto inerente ao jovem, acaba por se transformar em aversão” (CANIATO, 1997, p. 46).
De fato, é notório o descompasso que existe entre o ensinado em sala de aula e a realidade dos alunos, o que torna as aulas de Ciências Naturais irrelevantes e sem significado, pois o que se veicula nas escolas quase nunca se relaciona com os conhecimentos anteriormente construídos pelos educandos. “Na maioria das escolas, o ensino de ciências não trabalha com a identificação, o reconhecimento e a compreensão do mundo físico e do mundo dos seres vivos, não faz relação entre o dia-a-dia da criança e a ciência que se estuda” (FRACALANZA; AMARAL; GOUVEIA, 1986, p. 8).
Ao ingressar na escola o aluno já interagiu de muitas maneiras com o meio físico, com isso construindo o seu universo de conhecimento, o qual se constitui nas denominadas “concepções alternativas, espontâneas, ou de senso comum” (PFUNDT & DUIT, 1994). Caberia, então, ao professor reconhecer estes conhecimentos já construídos e, a partir deles, desenvolver a sua prática pedagógica.
Mesmo que algumas iniciativas de mudança estejam ocorrendo, o ensino de Ciências ainda se caracteriza por um excesso de informações e pela ênfase em sua memorização. (MILAGRE, 1989; DELIZOICOV & ANGOTTI, 1990; PACHECO, 1996). Tradicionalmente, as ciências têm sido ensinadas como uma coleção de fatos, descrições de fenômenos e enunciados de teorias para memorizar. Enfatizam-se muitos conceitos que pouco contribuirão para a vida do aluno na sociedade. Estes, por sua vez, conforme a usual prática escolar, deverão ser, quando muito, recitados na forma com que foram supostamente aprendidos.
Entretanto, a prática pedagógica deveria oportunizar, para além do exercício da verbalização de idéias, discutir as causas dos fenômenos, entender os mecanismos dos processos que estão estudando, analisar onde e como aquele conhecimento apresentado em sala de aula está presente em sua vida e, sempre que possível, relacionar as implicações destes conhecimentos na sociedade.
No Ensino Fundamental e, em especial, nas Séries Iniciais, o enfoque do professor deverá recair primeiramente sobre a compreensão dos conhecimentos científicos para somente após nomeá-los, conceituando-os. Não obstante, freqüentemente observa-se que, nas avaliações que praticam, os professores preocupam-se em demasia em nomear os conceitos e esquecem o processo de sua compreensão. As teorias científicas apresentam um repertório de leis e enunciados fortemente estruturados e de difícil compreensão e abstração. Muitas destas não são possíveis de ser compreendidas nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Nestas séries os professores deverão selecionar e adequar quais conteúdos priorizar para desenvolver e promover a compreensão da ciência. Este processo tem sido denominado de transposição didática.
Segundo HARLEN (1994), o modo de aprender das crianças se baseia na construção de sua própria visão do mundo, da seleção, da atuação e das formas de pensar e das idéias úteis para sua vida. Sua aprendizagem dependerá de como se efetuam a seleção e de como atuam. Argumenta ainda que o ensino de Ciências deverá ser desenvolvido para que os alunos “descubram o significado do mundo”. (p. 15).
As Ciências Naturais passam a ter significado à medida que possibilitam a compreensão dos fenômenos e objetos científicos através da interação que se estabelece e das relações construídas com outros saberes.
Todavia, ao limitar o ensino de Ciências aos chamados produtos da ciência, isto é, apenas aos conteúdos, deixam-se de lado os processos da ciência, ou seja, os eventos e procedimentos que levaram às descobertas científicas. “Assim, para muitos alunos, aprender ciências é decorar um conjunto de nomes, fórmulas, descrições de instrumentos ou substâncias, enunciados de leis. Como resultado, o que poderia ser uma experiência intelectual estimulante passa a ser um processo doloroso que chega até a causar aversão.” (KRASILCHIK, 1987, p. 52).
Além disso, a forma como os conteúdos são apresentados em sala de aula contribui para um ensino deficiente em ciência. Na maioria das vezes, os conceitos dos conteúdos são apenas apresentados, seguindo-se uma série de exercícios em que o aluno copia literalmente os conceitos apresentados no texto. Utilizam-se jogos, exercícios de completar, palavras cruzadas que induzem à memorização mecânica das respostas.
Desse modo, os exercícios parecem ter somente a função de ocupar as crianças no período escolar. Todavia, ao aluno deveria ser propiciada a oportunidade de extrapolar e projetar aquele conhecimento para outras situações, questionando e entendendo como aquele conhecimento está presente no seu cotidiano.
Para muito além dos costumeiros exercícios escolares, é reconhecida a importância das atividades práticas, seja em laboratório próprio ou em sala de aula, como um espaço que envolve a participação ativa dos alunos, permitindo que os educandos compreendam parte do processo científico, ou seja, como parte da ciência produz o seu conhecimento, com suas certezas e incertezas.
Embora se saiba da relativa importância dada aos laboratórios escolares, é preciso reconhecer a ausência de laboratórios minimamente organizados nas escolas, sua insuficiência ou inadequação de seu uso, o que se constitui em entrave para a melhoria do ensino de Ciências. Muitas vezes os professores, até mesmo, utilizam a falta de laboratório para justificar a não realização de atividades práticas.
Entretanto, no ensino de Ciências Naturais nas Séries Iniciais, a sala de aula e o meio ambiente se constituem em espaços que poderiam ser ocupados para estas atividades. O local da atividade e os materiais empregados são fatores de pouca relevância, mas o enfoque e a forma de apresentação das atividades práticas poderia contribuir para o desenvolvimento ímpar de aprendizagem significativa.
Verifica-se, por outro lado, que quando as escolas estão equipadas com materiais e equipamentos, os laboratórios permanecem freqüentemente fechados, porque o professor está, de modo geral, despreparado para utilizá-los.
De fato, a formação deficiente dos professores constitui um fator preponderante do quadro de problemas percebidos no ensino de Ciências. Sabe-se que o professor termina o curso de Magistério, e até mesmo o Ensino Superior, usualmente sem a formação adequada para ensinar Ciências.
Desse modo, a prática pedagógica, influenciada diretamente pela formação deficiente dos professores, se traduz nas aulas de Ciências teóricas, baseadas nos livros textos, descontextualizados da realidade dos alunos. As práticas em laboratório escolar ou mesmo as experiências em sala de aula, quando realizadas, nem sempre desenvolvem o raciocínio lógico e não contribuem para a construção de outros conhecimentos. Acentua-se, por isso, não apenas a necessidade de se repensar o currículo de formação de professores mas, principalmente a formação continuada de professores, mediante ações especificamente voltadas para as questões da prática pedagógica.
A par da formação deficiente do professor, também o livro didático, considerado um dos principais instrumentos do processo ensino-aprendizagem, contribui para agravar o problema do ensino de Ciências praticado em nossas escolas. Para FRACALANZA; AMARAL; GOUVEIA (1986, p. 18), “o livro didático, que muito eficazmente padronizou propostas curriculares de ciências, acabou por subjugar o ensino de ciências, tornando-se seu orientador exclusivo, e transformou-se de auxiliar didático em ditador de planejamento”. Esta constatação pode ser facilmente percebida quando, ao se analisar os planos de ensino dos professores, se constata que eles representam uma cópia fiel dos conteúdos apresentados no livro didático adotado pela escola, orientando as atividades diárias de sala de aula.
Assim, o livro didático que deveria servir como elemento estimulador, desenvolvendo a capacidade dos alunos, passa a ser um elemento limitador e uniformizador da aprendizagem. PRETTO (1995), ao analisar os livros didáticos de Ciências de 1ª a 4ª série, identificou uma semelhança impressionante no conteúdo, na ordem e na forma de apresentação dos conteúdos nos diversos manuais escolares.
KRASILCHIK (1987, p.49) critica os livros didáticos, ao afirmar que são “veículos explícitos ou implícitos de ideologias, incoerentes com as propostas das mudanças. Transmitem preconceitos contra minorias sociais e étnicas. Apresentam valores controvertidos sobre relações entre a Ciência e a Sociedade e entre pesquisadores e a comunidade.” Afirma ainda que nos livros exagera-se no uso de cores nas ilustrações, figuras caricaturescas que supostamente agradam aos alunos, além de exercícios do tipo quebra-cabeças que são primários na sua demanda intelectual.
Para ALVES (1987), os livros didáticos na sua maioria ignoram aquilo que o aluno já sabe. “Os conceitos que emitem são de uma notável tautologia; não só repetem aquilo que o aluno conhece, como se fosse novidade, como repetem ‘ ad nauseam’ os mesmos conceitos, os mesmo desenhos, as mesmas explicações.” (p. 15). Argumenta ainda que os professores devem reverter esta prática, partindo do conhecimento que o aluno já possui, para “fazer valer dentro da escola a realidade do aluno e a apreensão que ele já traz desta realidade, e para que se tenha ‘a prática social como ponto de partida e ponto de chegada do processo pedagógico’” . (p. 15).
Na escolha do livro didático os professores deveriam considerar se as atividades propostas no livro apenas reforçam os conteúdos apresentados ou são importantes para a própria formação de conceitos científicos pelos alunos. Além disso, deveriam “verificar se as atividades levam em conta a vivência e o nível cognitivo de seus alunos (...) perceber o grau de dificuldades de cada uma das propostas de atividades sugeridas, bem como a viabilidade de sua realização nas condições escolares” . (FRACALANZA; AMARAL; GOUVEIA, 1986, p. 33).
MOYSÉS & AQUINO (1987) verificaram o entendimento que os escolares apresentavam em relação ao livro texto e constataram que os alunos preferem os livros que favorecem mais à compreensão que a memorização. Além disso, eles também explicitaram que gostariam que os livros apresentassem mais exemplos e os conteúdos apresentados estivessem aliados ao seu cotidiano. “Como este cotidiano não se dá mediante quadros sinóticos, resumos e textos truncados, sugerem que as explicações sejam maiores e mais claras.” (p.13).
Entretanto, face à excessiva padronização dos livros escolares, dificilmente o professor tem condições de, baseado apenas nesses recursos, alterar substantivamente sua proposta de ensino. Além disso, face ao poder das editoras, dificilmente essa situação poderá ser alterada no curto prazo. Entretanto, mediante propostas de formação continuada, os professores poderiam ser estimulados a utilizarem materiais alternativos – jornais, revistas, livros não escolares, jogos etc. – ou desenvolverem atividades apropriadas como, por exemplo, as de estudo do meio.
Nas Séries Iniciais a criança defronta-se com o conhecimento científico e sua compreensão dependerá da concepção de Ciência e de Educação que baliza a prática pedagógica. Para muitos professores, o ensino de Ciências Naturais é desenvolvido de forma propedêutica, preparando a criança para o futuro. Porém, “O estudante não é só cidadão do futuro, mas já é cidadão hoje, e, nesse sentido, conhecer Ciência é ampliar a sua possibilidade presente de participação social e desenvolvimento mental, para assim viabilizar sua capacidade plena de exercício da cidadania.” (BRASIL, 1997a, p. 23).
Na sociedade atual dominada pelos conhecimentos científicos e pelos produtos tecnológicos, é importante e desejável, e até essencial, que o público em geral tenha mais e melhores informações sobre a Ciência e a Tecnologia.
Discutindo a importância da ciência, BODMER (1986) afirma que as pessoas nas suas vidas cotidianas precisam de algum entendimento de ciência para a sua própria satisfação pessoal e bem-estar. Quanto mais as pessoas conviverem e discutirem sobre a utilização da Ciência e da Tecnologia, maior será a possibilidade de ampliação da alfabetização científica desta população, porque os assuntos científicos passam a ser discutidos como qualquer outro assunto, pelo interesse que despertam e pelas possibilidades de alteração nas relações sociais que se impõem na sociedade. A ciência, que hoje se constitui num conhecimento profundamente sedimentado na cultura popular pode possibilitar aos cidadãos mudar seus pontos de vista e atitudes.
Um público cientificamente informado em ciências é uma das condições prévias para o efetivo funcionamento de uma sociedade democrática, permeada pela Ciência e Tecnologia.
Enquanto cidadãos e membros de uma sociedade democrática, todos são convocados a discutir e votar em assuntos que envolvem a Ciência e a Tecnologia. Também no dia-a-dia e no trabalho a maioria das pessoas está envolvida de múltiplas formas com questões científicas. Desse modo, as pessoas necessitam de algum entendimento científico, para auxiliá-las quer diariamente em sua vida pessoal e profissional, quer nas suas decisões no âmbito das relações sociais.
Assim, espera-se que as questões públicas envolvendo a ciência sejam melhores compreendidas e que melhores decisões sejam tomadas quanto maior for o entendimento público da ciência. Melhorar o entendimento público de ciência e influenciar na tomada de decisões, nos órgãos governamentais e na vida prática das pessoas, constituem-se em metas para as quais o ensino de Ciências Naturais certamente poderá contribuir. Através desta disciplina, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, certamente a alfabetização científica poderá contribuir para que o aluno realize uma leitura inicial de mundo, compreendendo os significados dos conteúdos da ciência e de seus processos de produção. Entretanto, para que isso ocorra, as atividades docentes devem privilegiar a atribuição de significados, balizadas pelo processo de compreensão dos conteúdos e dos métodos, contrapondo-se a um ensino memorístico, descontextualizado, a-histórico e acrítico, que hoje em dia permeia com muita naturalidade o contexto escolar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Neila Guimarães. A saúde na sala de aula: uma análise nos livros didáticos. In: Cadernos CEDES: o cotidiano do livro didático, São Paulo: Cortez, n. 18, 1987.
BODMER, W. The public understanding of Science. London, 1986.
BRASIL. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997a.
CANIATO, Rodolpho. Com ciência na educação: ideário e prática de uma alternativa brasileira para o ensino de ciências. 3ª reimpressão, Campinas, SP: Papirus, 1997.
CARMO, José Manuel do. As ciências no ciclo preparatório: formação de professores para um ensino integrador das perspectivas da ciência, do indivíduo e da sociedade. In: Ler Educação, nº 5, maio/ago. 1991.
DELIZOICOV Demétrio; ANGOTTI, José André Peres. Metodologia do Ensino de Ciência. São Paulo: Cortez, 1990
FRACALANZA, Hilário; AMARAL, Ivan A.; GOUVEIA, Mariley S. Flória. O ensino de ciências no primeiro grau. São Paulo: Atual, 1986.
FRIZZO Marisa N.; MARIN, Eulália B.. O ensino de ciências nas séries iniciais. 3ª ed. Ijuí: UNIJUÍ, 1989.
FUMAGALLI, Laura. O ensino de ciências naturais no nível fundamental de educação formal: argumentos a seu favor. In: WEISSMANN, Hilda (Org.). Didática das ciências naturais: contribuições e reflexões, Porto Alegre: ArtMed, 1998.
HARLEN, W. Enseñanza y aprendizaje de las ciencias. 2ª ed., Madrid: Morata, 1994.
KRASILCHIK, Myriam. O professor e o currículo das ciências. São Paulo: EPU: EDUSP, 1987.
LORENZETTI, Leonir. Alfabetização científica no contexto das séries iniciais. Florianópolis: Centro de Educação da UFSC, 2000. Dissertação de mestrado.
MILAGRE, Antônio Sérgio K. A dimensão histórica da prática científica como referência para o ensino de Ciências. In: Revista de Educação, AEC, Brasília, n. 72, 1989.
MOYSÉS, Lúcia Maria M.; AQUINO, Léa Maria G. T. de. As características do livro didático e os alunos. In: Cadernos CEDES: O cotidiano do livro didático, São Paulo: Cortez, n. 18, 1987.
PACHECO, Décio. Um problema no ensino de ciências: organização conceitual do conteúdo ou estudo dos fenômenos. In: Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 10, n. 19, 1996.
PFUNDT, H.; DUIT, R. Bibliography students’ alternative frameworks and science education. Kiel, Institute for Science & Education, 1994.
PRETTO, Nelson de Luca. A ciência nos livros didáticos, 2ª ed. Campinas: Editora da Unicamp/ Salvador: Editora da UFBa, 1995.





sexta-feira, 5 de março de 2010

     8 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
PARABÉNS,
A TODAS AS MULHERES QUE FAZEM CONSTRUIR SEU SONHO
E NÃO ESPERAM ACONTECER.
PARABÉNS,
A VOCÊS MULHERES QUE INTEGRAM O:
SISTEMA EDUCACIONAL EADCON
FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA-FAEL
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS-UNITINS.

quinta-feira, 4 de março de 2010

PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO ALUNO

A Educação é um processo que possibilita uma articulação das capacidades de agir intelectualmente e pensar produtivamente; de estabelecer vínculos entre trabalho e educação e para a contextualização cada vez maior do conhecimento, já que esta é condição essencial da eficácia do funcionamento cognitivo. Neste sentido, a missão do ensino é transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita compreender a condição do ser humano e o ajude a viver e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre.
Neste contexto, o ensino e aprendizagem são processos complementares, mediados pelo uso da linguagem. O processo de aprender é bastante complexo, envolve vários fatores: variáveis cognitivas, afetivas, sociais, econômicas e até políticas. O ensinar envolve também, inúmeras variáveis e pode ser considerado como aberto a experiências dialógicas, assim, a aprendizagem é a construção permanente do conhecimento.
A aprendizagem envolve uma integração de fatores contextuais e internos do aluno que podem tanto favorecer como afetar de maneira negativa o processo de aprender.
A atenção é inata ao indivíduo, mas se relaciona com a mediação simbólica, esta divide-se em voluntária e involuntária. A atenão voluntária é aquela na qual o indivíduo direciona conscientemente para que o que considera essencial ao seu desenvolvimento; e a atenção é involuntária porque o individuo não tem domínio, nem consciência sobre a importância daquilo que lhe chama a atenção.
Desta forma um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal, onde as funções no desenvolvimento do indivíduo aparecem duas vezes no ciclo do desenvolvimento humano: primeiro entre as pessoas e, depois, no interior do indivíduo.
A capacidade de aprender está presente em todos os indivíduos sendo que para alguns ocorre uma relativa dificuldade de assimilação e manutenção de seu conhecimento, ligando o processo de absorção daquilo que se quer aprender a fatores muito mais relevantes do que o simples fato de necessitar fixar aquilo que é ensinado.
Assim entende-se que o processo de aprendizagem é desencadeado a partir da motivação, onde o mesmo se dá no interior do indivíduo, estando, entretanto, intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio, principalmente, seus professores e colegas. Nas situações escolares, o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento.
Entende-se assim, que a dificuldade de aprendizagem, quando presente no período inicial da escolarização pode favorecer a vulnerabilidade ao desenvolvimento infantil, sendo necessário a elaboração de programas de suporte visando o enfrentamento de tais situações consideradas críticas para o desenvolvimento.
O professor hoje, não é mais o detentor do conhecimento, aquele que sabe tudo e seus alunos são meros receptores do conhecimento. Com as várias informações que estão ao alcance de todos principalmente na Internet, o trabalho isolado do professor já não satisfaz mais. As mudanças de postura, a quebra de paradigmas faz com que o trabalho do professor não seja mais isolado; assim o trabalho em conjunto, cooperativo vem de encontro com as necessidades dos alunos na busca da construção do conhecimento e o professor entra como mediador, orientador deste conhecimento, aquele que mostra os caminhos para seus alunos em conjunto buscarem de forma interativa o saber e a construção de novos saberes. Neste ambiente o professor continuará sendo professor, mas um professor mediador e orientador e não mais o detentor do conhecimento pois o trabalho cooperativo ele aprenderá com seus alunos.
Então, cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais, que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento, com seus colegas e com os próprios professores; pois, embora a aprendizagem ocorra na intimidade do indivíduo, o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações.
A educação seja ela no âmbito escolar ou em qualquer ambiente de aprendizagem, tem buscado aprimorar seus conceitos e metodologias no sentido de propiciar ao integrante do processo educacional a assimilação adequada daquilo que lhe é ensinado, fato que tem sido alvo de constantes discussões e reflexões entre agentes educacionais e teóricos do assunto para que se consiga organizar o processo de aprendizagem de forma mais objetiva para a aquisição do conhecimento pelo indivíduo envolvido nesse processo.
O ato de educar é contribuir para que docentes e alunos transformem suas vidas em processos constantes de aprendizagem. É contribuir com os alunos na construção da sua identidade, da sua trajetória pessoal e profissional, no desenvolvimento das habilidades e competências de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seu espaço social, político, econômico, cultural e educacional.
A generalidade do ensino escolar ainda se situa muito na transmissão da informação. Pouca atenção é prestada ao ensino das competências de resolução de problemas. Embora professores reconheçam a importância de se desenvolver a compreensão e o raciocínio dos alunos, na realidade esses aspectos não parecem fazer parte do conjunto de objetivos principais a serem atingidos pela educação, já que na prática a escola não tem valorizado o pensar e o transformar. Pouco tem sido feito no sentido de desenvolver no aluno a capacidade de aprender a aprender. É fundamental, pois, que se abram espaços para o "aprender a aprender" e o "aprender a pensar". É sem dúvida a possibilidade de discriminação inteligente da informação que permi o desenvolvimento de uma consciência crítica.

ANIVERSARIANTES DO MÊS - MARÇO

04 - ELIZETE SILVA SANTOS
06 - GEONILTON SANTOS CONCEIÇÃO
06 - MICHELLY FERREIRA
08 - ALINE JESUS DAMACENA
11 - MARIA DAS DORES DE SOUZA MOREIRA FERNANDES
15 - ANÉLIA OLIVEIRA GUIMARÃES
16 - SUELY DE SOUZA E SILVA
17 - MOABE DOS SANTOS NOVAES
18 - GILDETE SOARES DA SILVA
24 - CLEMANY SOARES DE ANDRADE
26 - LÚCIO DE CASTRO DANTAS

"Uma das grandes bênçãos da vida é a experiência ,
que os anos vividos nos concedem.
Aniversariar é uma amostra das oportunidade
que temos de aprender a contar os nossos dias."

Que Deus te ilumine, todos os dias de suas vidas.
Feliz Aniversário!!!!!!!

POR:
ERIKA PAULA
CRISLEY SANTANA
DANIELE ANDRADE
RODRIGO FERREIRA